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Os novos rumos da comunicação com o mercado

Houve época em que a comunicação com o mercado se fazia basicamente através da propaganda. Falo dos anos 70 e 80, quando o Brasil vivia a última fase de seu “milagre econômico”, apoiado numa classe média numerosa e próspera. Naqueles tempos, os brasileiros estavam tomando conhecimento de uma imensa variedade de novos produtos, desde a maionese e os molhos prontos até as máquinas de lavar pratos e as maravilhas do vídeo e da televisão. Havia uma propensão natural ao consumo, alimentada por uma renda familiar mais elevada do que hoje e havia também a atração natural provocada por produtos com os quais o consumidor começava a se familiarizar.

Lembro-me, por exemplo, do encantamento de minha mulher ao ver pela primeira vez uma reluzente geladeira de duas portas num comercial de TV. Hoje, todos esses produtos fazem parte de nosso dia-a-dia e não inspiram mais as emoções de antigamente. Além disso, a renda média das famílias caiu cerca de 40%, pressionada pelas tarifas de serviços públicos e por uma carga de impostos escorchante.

Com tudo isso, não é de admirar que o interesse pela propaganda tenha diminuído e que as marcas lideres sejam substituídas por similares de preços mais baixos. Muitos anunciantes concluem então que a culpa dessa situação cabe à propaganda, pois esta já não é mais capaz de manter o prestígio das marcas tradicionais, como acontecia antigamente. Na verdade, as empresas estão sendo muito rigorosas nesta atribuição de culpa à propaganda. O problema tem conotações sociais, econômicas e até mesmo culturais. A rigor, já não é mais possível manter um relacionamento permanente com o consumidor com base apenas na propaganda. Ela continua sendo importante, mas a marca deve ser promovida e defendida de outras maneiras.

A nova natureza das marcas: conotação subjetiva – de fato, a própria natureza das marcas modificou-se e hoje tem conotações mais subjetivas, mais ligadas à confiança e menos dependente de avanços tecnológicos que são sempre temporários. As empresas que antigamente desenvolviam estratégias de marketing baseadas em marcas múltiplas tiveram de rever completamente seus conceitos, reduzindo o número de marcas e promovendo fortemente a marca-umbrella.

Catedrais de consumo – para complicar ainda mais a situação, as empresas fabricantes de bens duráveis e produtos de consumo enfrentam hoje um varejo muito mais poderoso e sofisticado, com grandes índices de concentração. São comuns os casos de cadeias varejistas que respondem por até 20% das vendas de determinadas marcas de bens e produtos. Isso as transformam em autênticas “catedrais do consumo” com imenso poder sobre os seus clientes. Essas “catedrais” tornaram-se elas próprias canais de comunicação com o mercado. Além de serem pontos de venda, servem também para agregar valor às marcas nelas expostas.

Em outras palavras, estar presente nestes locais é uma forma de valorizar a marca, tanto quanto a presença na mídia. Esses são os principais fatores da nova comunicação com o mercado. Equacioná-la não é fácil, mas tornou-se primordial não só para os grandes fabricantes, donos das marcas tradicionais, mas também para as empresas de médio porte que passaram a concorrer através de marcas secundárias, ou então em nichos específicos de seus mercados. Para nós, profissionais e professores de marketing e comunicação, começou uma nova era cujo final ainda não está à vista.

Francisco Gracioso
Diretor-presidente da ESPM - ESPM NEWS

 

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